Multidão toma as ruas de Porto Alegre em caminhada com Lula a seis dias do segundo turno

A caminhada de Lula em Porto Alegre reuniu milhares de pessoas na segunda-feira, 19 de outubro de 2026, seis dias antes do segundo turno. Segundo a reportagem sobre o ato, o percurso começou no Largo dos Açorianos e seguiu até o Mercado Público.

A mobilização ocorreu durante a campanha para a votação de 25 de outubro. Lideranças políticas e manifestantes defenderam a continuidade do governo e destacaram democracia e soberania.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do ato na capital gaúcha ao lado de representantes políticos e de apoiadores de diferentes cidades do estado. Entre as pessoas ouvidas estavam Jana Alexandra, Luciana Braz Nunes e Maria de Lourdes Vedói.

caminhada de Lula em Porto Alegre

A cobertura registrou manifestações de apoio à reeleição e discursos sobre o Rio Grande do Sul, além de declarações de Lula sobre temas eleitorais e medidas de governo. A organização não apresentou estimativa oficial de público.

Dimensão da caminhada e presença de lideranças políticas

A reportagem não registrou uma estimativa oficial de público para a caminhada de Lula em Porto Alegre. Ainda assim, comparou a mobilização às maiores manifestações das últimas três décadas na capital e informou que ela superou a caminhada de Lula realizada em 19 de outubro de 2022, cuja organização calculou 70 mil participantes.

O texto também comparou o ato ao Fórum Social Mundial de 2003, que reuniu 100 mil pessoas. Ao final do percurso, Lula avaliou que a manifestação poderia ser a maior da história de Porto Alegre e disse que ouviu essa leitura de Olívio Dutra e Tarso Genro, ambos do PT.

Olívio Dutra, ex-governador do Rio Grande do Sul, participou dos discursos ao lado do senador Paulo Paim (PT), de Rui Costa (PT) e do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT). Também estiveram no ato Manuela d’Ávila (Psol), Edegar Pretto (PT), Juliana Brizola (PDT) e parlamentares estaduais e federais.

Na votação do primeiro turno em Porto Alegre, Lula recebeu 48,57% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) obteve 41,86%. O resultado municipal foi citado no contexto da campanha para o segundo turno de 25 de outubro.

Apoiadores relacionam a eleição a direitos e democracia

Jana Alexandra, nascida em Porto Alegre e moradora de Ivoti, contou que cresceu na periferia da capital e ficou órfã junto com a irmã. Ela atribuiu parte de sua trajetória de estudos às políticas públicas destinadas a pessoas em condições semelhantes às dela e defendeu mobilização nas ruas, nas redes sociais e entre familiares.

A assistente social Luciana Braz Nunes, natural de Alegrete e moradora de Porto Alegre havia 50 anos, apontou democracia, soberania, liberdade e dignidade como motivos para participar. Na avaliação dela, a reeleição de Lula representaria a garantia de direitos adquiridos, enquanto uma vitória de Flávio Bolsonaro poderia levar a retrocessos e à perda de direitos.

Moradora do bairro Sarandi, a aposentada e ex-metalúrgica Maria de Lourdes Vedói disse que foi atingida pela enchente e não recebeu auxílio federal. Ela afirmou que compareceu ao ato para defender a vitória de Lula e associou sua escolha eleitoral à expectativa de receber apoio.

Gicelda Rodrigues de Morais, aposentada de 68 anos e moradora do Partenon, disse que pretendia votar novamente em Lula e relatou ter convencido a filha a apoiá-lo. Já a estudante da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Zandria Sanchez relacionou as cotas ao acesso à universidade pública e defendeu a continuidade das políticas públicas; sua mãe, Silvia Lourenço, técnica de enfermagem de Alvorada, descreveu a participação como uma forma de defender conquistas.

Discursos destacam soberania e disputa eleitoral

Olívio Dutra, aos 85 anos, convocou eleitores de diferentes idades a votar em Lula no dia 25 de outubro e puxou manifestações de apoio ao presidente, à democracia e ao povo de Porto Alegre. Paulo Paim chamou o ato de “caminhada da virada” e mencionou sua relação de décadas com Lula, além de destacar a aprovação das 40 horas.

Rui Costa falou da tradição política do Rio Grande do Sul e citou Getúlio Vargas, Leonel Brizola e a campanha da Legalidade contra o golpe militar. Para ele, a democracia precisa estar presente na vida das pessoas por meio de políticas públicas, além de ser garantida pela Constituição.

Rafael Fonteles, governador do Piauí reeleito no primeiro turno de 4 de outubro, pediu apoio a Lula e dirigiu um apelo aos descendentes de nordestinos que vivem no Rio Grande do Sul. Em seu discurso, também caracterizou a mobilização como uma caminhada da virada.

Lula recordou visitas ao estado e sua relação com Olívio Dutra e Paulo Paim, que conhecia desde os anos 1980. O presidente afirmou que o Rio Grande do Sul é símbolo de resistência à ditadura militar e declarou que a manifestação demonstrava que o estado não era de direita nem conservador, mas reunia trabalhadores e estudantes em defesa de um futuro melhor e da soberania nacional.

Lula anuncia abertura de sigilos e cobra o adversário

Durante a passagem por Porto Alegre, Lula anunciou que assinou uma procuração para autorizar a abertura de seus sigilos bancário e telefônico, assim como os da mulher e dos cinco filhos. Segundo o presidente, o documento seria entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 20 de outubro.

Lula afirmou que incluiu os filhos porque, segundo ele, acusações contra sua família aparecem em períodos eleitorais. Também cobrou que Flávio Bolsonaro tomasse a mesma iniciativa e disse querer que o adversário demonstrasse ser honesto.

Ao tratar do assunto, Lula questionou a origem de R$ 134 milhões e perguntou como o adversário teria comprado à vista uma casa de R$ 10 milhões com um salário igual ao do presidente. A reportagem contextualizou que Lula já havia defendido, em 9 de setembro, a abertura dos sigilos de todos os envolvidos no caso Banco Master.

Flávio Bolsonaro era alvo de apuração da Polícia Federal (PF) sobre repasses do banco aos Estados Unidos, conforme a reportagem. Ele afirmou que uma contratação não chegou a ser realizada e negou irregularidades; Lula também relacionou a cobrança ao debate entre os dois realizado pela Band em 18 de outubro.

Propostas de governo e apelo à mobilização para o segundo turno

No palanque, Lula falou de uma proposta para tratar dívidas de microempreendedores individuais (MEIs) com a dívida ativa da União. Segundo o presidente, o Congresso aprovou uma anistia para dívidas que os MEIs não teriam condições de pagar, e o governo propôs comprá-las em leilão, com expectativa de desconto de cerca de 95%.

Lula também anunciou um Pix de R$ 5 mil para quem se livrasse da dívida e afirmou que o valor não seria empréstimo, mas uma medida para permitir que essas pessoas começassem uma nova vida sem débitos. A referência à proposta não detalhou outras condições para receber o pagamento.

O presidente mencionou o fim da escala 6×1, que, segundo ele, garantiria dois dias de descanso por semana; a proposta de emenda à Constituição havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados em 14 de outubro de 2026. Ele anunciou ainda que enviaria ao Congresso uma proposta de emenda à Constituição para assegurar transporte gratuito nas cidades que contam com o serviço, com financiamento por emendas parlamentares.

Ao encerrar o ato, Lula pediu que apoiadores conversassem com pessoas que não votaram no primeiro turno, inclusive eleitores com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo. Citou a defesa da dignidade e da soberania do país, o fim da escala 6×1 e o combate ao feminicídio; após Porto Alegre, seguiu para Brasília e tinha agenda prevista para 20 de outubro no Maranhão, em Pernambuco e na Bahia.